Obras em casa – parte XIXIIIXXCVIXC

Gestão. Contas. Decisões.

Três singelas palavras que embrulhadas numa obra de remodelação de casa podem fazer a vossa vida parecer não o mar das Maldivas que esperam, mas sim uma poça de petróleo seco e refundido, algures em Freixo de Espada à Cinta.

Dado que a minha casa está em obras – e eu também – há mais de 8 meses, sinto-me licenciada e mestra até, nesta arte de decidir remodelar uma casa e sofrer as estopinhas com a coisa. Vendo bem, sinto-me uma espécie de guru de todos aqueles que, perdidos entre tijoleiras, pladur’s e orçamentos barrados de incumprimentos, sofrem com este mal. Tem um nome. Desiluzinite. É uma infeção grave, contraída por um vírus de seu nome – obra arrependimentis . Ainda não há cura conhecida para este flagelo mas eu contraí-o e convivo na moleirinha e na conta bancária com os seus sintomas. Decisões obrigatórias em cima do joelho, contas que fazem um buraco negro parecer um ponto final e gestão de tudo. Desde a escolha do parafuso até à caixa de escoamento das águas, é preciso saber gerir e decidir. TUDO!

Não vai lá com antipiréticos, analgésicos e antiinflamatórios. A vacina também não foi ainda encontrada e os antibióticos não lhe pegam porque é um vírus.

A gestão de expectativas parece-me de longe a terapêutica mais funcional. E surte os seus efeitos. Tudo começa com a sua administração. Só têm de NÃO pensar em prazos. A sério. Sigam a regra dos 3. Se dizem que a licença está quase a sair, esperam 3. Três meses. Se está projectado começar com a instalação elétrica no dia seguinte, esperam 3. Três semanas. Se vos dizem que a casa está pronta, esperam 3. Três anos. Não, vá, também não tanto. Mas esperem múltiplos de 3. 6, 9,12… aconselha-vos alguém que terá – TE-RÁ – a chave da sua maison, mais de um ano depois do começo das obras.

Não quero de todo desanimar quem decidiu remodelar/construir uma casa. Quero apenas mostrar que é preciso, MESMO, estarem muito firmes no passo que estão a dar. Não imponham prazos para nada. Não vão até ao limite do vosso orçamento. Não decidam remodelar casa com alguém que não tem os mesmos gostos que vocês. Os prazos nunca se cumprem, os orçamentos nunca são respeitados, as discussões brotam desde a escolha da cerâmica até ao tubo do exaustor.

A linha entre o sonho e o pesadelo pode ser bastante ténue. E eu, qual Beatriz Costa da costura, estou aqui para coser, rematar, unir e debruar todos as expectativas esburacas e desfiadas. Vou continuar a partilhar aqui no blog tudo o que tenho aprendido com esta remodelação da casa, para que quem esteja na mesma situação possa ainda desistir. Brincadeirinha. Não é assim tão mau. É péssimo. Mas vale a pena. Valerá. Um dia. Quem sabe. Vamos acreditar que sim. #deusnocomando

Vossa, com andaimes até aos “jólhos”

JT

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