Dia Mundial da Visão

Neste Dia Mundial da Visão vale a pena apresentar-vos um projecto criado por um português e que está a mudar a vida de 350 milhões de pessoas em todo o mundo.

Chama-se Miguel Neiva, é designer e na sua tese de mestrado desenvolveu um projeto baseado na ideia que tinha de que podia ficar daltónico um dia, o que é raro. Trabalhar com cores e não as ver seria constrangedor para um designer. Daí a desenvolver um sistema de cores foi um passo. O facto de não ser daltónico originou o sucesso desta solução, pois se o fosse, poderia desenvolver a ideia de acordo com o seu tipo de Daltonismo, uma vez que existem diferentes graus de Daltonismo. Vejamos por exemplo, o caso do Braille. O seu inventor fê-lo com base na sua língua materna, daí o braille não ser amplamente usado pelos cegos. Pelo facto de não ser daltónico, Miguel Neiva conseguiu o distanciamento necessário e a preocupação social necessária para um projecto tão impactante a nível mundial.

Entrevistei-o para o “Agora Nós” e fiquei fã da sua faceta e generosidade social

Se existem 350 milhões de pessoas daltónicas no mundo, a maneira mais fácil de chegar a elas é ser global e atingir a população mundial de 7 mil milhões de pessoas. Criámos um modelo de co-criação, trabalhamos com as empresas e entidades onde a cor é um fator de comunicação e são elas próprias que ensinam às pessoas como o código funciona. Por exemplo, a Matel introduziu o código no jogo Uno e na primeira semana teve um aumento de vendas de 66%. Os lápis Viarco também já o introduziram

“O impacto deste sistema de cores, que associa símbolos a cores é brutal, na medida em que a não correta visualização das cores pode efetivamente ser . A cada uma das três cores primárias corresponde a um símbolo gráfico que fosse fácil de representar e de se ligar entre eles. Com três símbolos apenas, o daltónico consegue identificar todas as cores: ele não as consegue ver mas fica a saber que aquele sinal é vermelho e não verde ou que é azul e não amarelo. A cor é um fator racional de identificação, orientação ou escolha

Porque pode ser aplicado ao vestuário, aos lápis, aos mapas das cidades, ao circuito turístico. Sabia que já há 250 quilómetros de praias em Portugal (incluindo a dos Galapinhos e a Nazaré) em que as bandeiras têm o código ColorAdd para os daltónicos poderem saber quando está vermelha ou verde? Quando fiz a investigação para o mestrado, um israelita daltónico disse-me que não tomava banho no mar porque nãoconseguia ver a cor da bandeira. Assim já podem”

O projeto cresceu para uma ONG ColorAdd Social, apoiada pela Fundação Gulbenkian, dedicada ao trabalho com as escolas . Já chegaram a mais de 20 mil crianças, fazendo o rastreio precoce do daltonismo nas escolas.

Miguel Neiva brinca com o facto dos miúdos acharem que ele já morreu, como se uma invenção desta dimensão fosse coisa do passado. Quando aparece nas escolas, a propósito do projecto ColorAdd Social , o espanto é total e o impacto também. Os miúdos saem da escola com a plena noção do que o Daltonismo e nalguns casos, até se diagnostica a doença.

“É importante porque muitas crianças daltónicas são vítimas de bullying, até por parte dos professores, por não distinguirem as cores”

Um exemplo de mais um portugês a fazer a diferença no mundo e sobretudo, na vida das pessoas.

Vossa,

JT

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