Tirar leite materno no trabalho 

Tenho sido muito abordada por mamãs que me perguntam como faço para tirar leite enquanto trabalho, de forma a manter a amamentação em exclusivo. Desta forma, decidi escrever este post para explicar a minha logística e assim tentar ajudar algumas mamãs neste processo. 

Não poder sair do trabalho para amamentar o bebé – porque existe uma lei que o possibilita – obrigada a um esforço e logística complicadas, mas uma vez posta em prática, logo logo se torna uma rotina. 

Nesta ginástica – porque não escondo que a é – a  primeira coisa a fazer é manter a calma. Gerir bem as emoções, no que diz respeito ao stress profissional e pessoal, é fundamental para que possamos continuar a ter leite. Outro passo precioso é tirá-lo na hora certa a que corresponderia a mamada. É certo que 15/30 minutos não farão grande diferença, mas evitem passar para além desse tempo. A não retirada do leite, dará a ideia ao cérebro que não necessitamos de fabricar mais e à hora da próxima mamada, já vão reparar que produziram menos. Desta forma, tentem sempre cumprir. 

Procurem um espaço tranquilo e privado onde possam estar à vontade. Há mamãs que gostam de ler, estar nas redes sociais, mas no meu caso, gosto de ver os vídeos e fotos do meu bebé. E tem uma lógica. Potenciar a produção de leite!

As duas hormonas mais importantes da mama são a prolactina (hormona segregada pela hipófise e que estimula a produção de leite nos alvéolos após o parto) e a ocitocina (hormona, segregada pelo hipotálamo, que provoca as contrações uterinas durante o trabalho de parto e que também estimula a secreção do leite materno).

Quando o bebé mama, estimula a auréola e o mamilo da mãe. Com esta estimulação, a prolactina é libertada e inicia-se a produção de leite. Assim, sempre que amamentamos, estamos a enviar sinais ao nosso corpo para produzir mais leite. O inverso, ou seja, amamentar menos ou ter dificuldade na amamentação, causa um decréscimo na produção de leite.

Durante a amamentação, o hipotálamo liberta ocitocina que provoca a descida do leite através dos ductos até ao mamilo. Quando o bebé mama, envia mensagens nervosas para a glândula pituitária que liberta a ocitocina na corrente sanguínea.
Assim, quando iniciamos a amamentação, todo este processo é desencadeado em resposta a uma estimulação física (a sucção do bebé do mamilo e da auréola) mas também ao choro do bebé ou à sua presença (por isso é que vejo vídeos e fotos :)!) 

E porque as hormonas hão-de sempre controlar a nossa vida, se estivermos tristes ou cansadas, o reflexo da ocitocina pode ser inibido, logo, está comprometida a amamentação. Mas calma, é uma situação temporária e parcial (salvo casos de e tristeza ou cansaço recorrentes) .

Agora percebem aquele momento em que amamentam e olham para o vosso bebé e sentem de repente o peito a encher? 

De volta ao processo de tirar leite com a bomba,enquanto o estiverem a fazer, convém massajar o peito com os nós dos dedos, no sentido do mamilo, para facilitar a extração do leite. A bomba fará também a diferença no sucesso desta operação. Uma bomba manual, por ser cansativa, pode ser a culpada pela desistência da amamentação. Hoje em dia há várias bombas extratoras de leite. Aconselho bombas que funcionem também a pilhas. Se funcionar apenas ligada à corrente, há boas chances de estarem num sítio sem tomada. Eu já tirei leite no carro, por isso as bombas a pilhas safam sempre tudo. Pela exigência e pouca flexibilidade horário do meu trabalho, tenho de ser rápida na extração, pelo que uso a swing maxi da Medela que amo – https://www.sweetcare.pt/medela-extractores-leite-swing-maxi-p-001666md – pareço uma fábrica de laticínios, mas mais eficaz é impossível. Tem uma coisa ótima, uma fase de estimulação antes da extração e, como escrevi acima, estimular faz toda a diferença.

Há muitas mamãs que dizem que não conseguem tirar leite. Ou a bomba não puxa bem, ou tiram só um pouquinho…salvo as devidas distâncias, não vão conseguir tirar leite enquanto comem, mandam mail’s ou organizam o desktop. Por isso este momento deve ser vivido de uma forma tranquila.

Claro que se puderem estar com o vosso bebé, nada disto se aplica. Aplica-se sim o artigo 47.º que nos protege. Tenham em mente os vossos direitos:

Artigo 47.º – Dispensa para amamentação ou aleitação
1 — A mãe que amamenta o filho tem direito a dispensa de trabalho para o efeito, durante o tempo que durar a amamentação.
2 — No caso de não haver amamentação, desde que ambos os progenitores exerçam actividade profissional, qualquer deles ou ambos, consoante decisão conjunta, têm direito a dispensa para aleitação, até o filho perfazer um ano.
3 — A dispensa diária para amamentação ou aleitação é gozada em dois períodos distintos, com a duração máxima de uma hora cada, salvo se outro regime for acordado com o empregador.
4 — No caso de nascimentos múltiplos, a dispensa referida no número anterior é acrescida de mais 30 minutos por cada gémeo além do primeiro.
5 — Se qualquer dos progenitores trabalhar a tempo parcial, a dispensa diária para amamentação ou aleitação é reduzida na proporção do respectivo período normal de trabalho, não podendo ser inferior a 30 minutos.
6 — Na situação referida no número anterior, a dispensa diária é gozada em período não superior a uma hora e, sendo caso disso, num segundo período com a duração remanescente, salvo se outro regime for acordado com o empregador.
7 — Constitui contra-ordenação grave a violação do disposto neste artigo.

Muito em breve irei escrever um post sobre transporte e conservação do leite materno

Espero ser útil!

Vossa,

JT

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