Manchester…

Não sei bem como hei-de apresentar este mundo aos meu filhos. Se falarei de como a natureza é linda, de como a terra é generosa, de como é maravilhoso ver os animais no seu estado selvagem e de como o Homem convive com tudo isto e se distingue pela sua inteligência e humanidade. 

Era assim que gostaria de apresentar este mundo idílico aos meus meninos. Mas não posso. Há medida que a minha descrição do mundo avança, menos real ela se torna. E os Homens são tudo menos inteligentes e humanos.

Estando de mini-férias, e com toda a ausência a que o estado permite, deparei-me em choque com a notícia do atentado de Manchester. Mais um golpe na humanidade, na normalidade, na inteligência. 

Como explicarei isto aos meus filhos? Como lhes poderei dizer que não quero que estejam presentes em sítios cheios de gente, com medo que um acéfalo se faça explodir e leve inocentes com ele? Como lhes posso dar a liberdade da infância e da juventude com medo de os perder? Será que devo, sequer? 

Bom, já reajo como os terroristas querem. Com medo. Medo de viver na normalidade que sempre conheci. E assumo isso. 

Sem querer entrar no clássico “no meu tempo…” até porque detesto este tipo de abordagens, não posso deixar de ter saudades do tempo em que não tínhamos nenhuma preocupação a não ser se o penteado estava mais ao estilo da Melanie B ou da Melanie C, das Spice Girls. 

A esta distância vejo agora que vivíamos com pacatez e inocência. E que bom que isso era. 

Que nunca tenha que contar uma história de embalar com “Era uma vez, num mundo cheio de paz…” e que as nossas crianças possam viver nele e não na sua fantasia e imaginação.

Tenhamos a capacidade de espalhar a paz na nossa casa, na nossa rua, na nossa cidade. E tenhamos a capacidade de manter a esperança de que ainda vamos a tempo de mudar este mundo. 

Basta mantermo-nos humanos. 

Eu ainda acredito.

Vossa,

JT

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