O regresso ao trabalho

Não custou nada, adorei e sinto-me um pouco mal com isso. Porquê? Porque o senso comum diria que devia ficar com o coração apertado a cada km que o carro percorria; que devia estar a bombardear o meu marido de mensagens a perguntar se o bebé estava bem; que devia sentir-me mal por estar já a regressar ao trabalho…mas não. Honestamente não. Claro que tive saudades do meu Baby, muitas mesmo, mas também é verdade que me senti muito bem, de volta à Joana profissional e mulher. Este regresso foi uma necessidade muito minha, quase visceral, mesmo fundamental para a minha sanidade mental. Para quem trabalhava 6 dias por semana e se vê em casa há 5 meses, acho que dá para perceber.

Com o Afonso a 3 dias de celebrar um mês de vida, lá fui apresentar o Aqui Portugal a Coruche. O stress começou no dia anterior. Ver se há leite suficiente, tirar o possível para deixar em Stock, programar as horas de sono e alimentação do bebé para poder organizar a manhã seguinte – “ora, por este andar acorda às 6h30, dou-lhe de mamar às 9h30, saio, e os 3 pacotes de leite que tenho chegam na boa” crente!!!Como se alguns vez as coisas fossem assim tão líquidas…

Na noite anterior, o Baby decidiu dormir mal, resmungar bastante e acordar num misto de 3 em 3 e de 2 em 2h (sou a única a achar que as crianças têm uma espécie de sensor para dificultar o já de si difícil?). Depois, à hora que devia estar a acordar para dar de mamar, estava  a dormir como uma pedra e tive que tirar leite com a bomba, num stress tal que extraí apenas metade do que seria suposto, isto porque entretanto já eram 9h30 e já devia estar a sair. Saí às 9h50 e já estava a pôr tudo em causa. Se calhar deveria ter ficado em casa sossegadinha.

Chego na hora possível, para o retorno à equipa, aos hábitos, àquilo que sei fazer profissionalmente. Senti-me de volta a mim.

Nos intervalos do programa lá ía eu para o camarim tirar leite, ao mesmo tempo que me davam os retoques na make-up. Uma operaçao delicada e cómica, já que tinha de deixar os pacotes de leite no frigorífico de um restaurante, sem estes saberem bem o conteúdo interior. A minha Si, a nossa assistente no programa e pessoa que adoro, era a minha enviada especial.

Com muita ginástica e capacidade de improviso a coisa deu-se, mas confesso que foi um stress. Principalmente quando o meu marido me pergunta se demorava muito, porque já não tinha leite suficiente. “Quêêêêê???!!” Foi o pânico para mim. Eram 19h30 e só tinha metade de leite. Fiquei a sentir-te muito mal, aflita e com muito peso na consciência. O Baby estava a chorar imenso e eu com uma viagem de 1h para chegar a casa. Fiz a viagem em modo masoquista. Pois que não calculei bem o leite, pois que não deveria ter começado a trabalhar, pois que estava a ser má mãe. A ajudar estava sem bateria no telemóvel.

Chego a casa, absolutamente esbaforida! Encontro o Afonso a dormir como um anjo. Tranquilo. Pacífico. Jantei e ainda esperei quase uma hora para que ele acordasse.

Em resumo…não vale a pena fazer planos, não vale a pena pensarmos nos “Ses”. Também não vale a pena acharmos que da próxima não voltaremos a cometer os mesmos erros. Nada sairá conforme planeámos. Ser mãe também é isto. E para a semana há mais!


Vossa,

JT 

Comentários


Adicionar comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *