Parto sem dor – sim, é possível e eu tive!

Se ter um filho é das experiências mais incríveis da vida, poder fazê-lo sem dor é o pleno! A minha obstetra, a quem dei o título de rainha da Obstetrícia – avé Dra. Andreia Rodrigues – dizia-me sempre nas consultas pré-parto que não admitia dor e que eu não teria nenhuma. Eu só pensava “ok, mas até à hora H vou sentir cada contração e espernear por todo o lado”,mas não.

Apesar de ter programado o parto, à semelhança do anterior, as experiências foram bem diferentes. Aquando da M.I. lá me deitaram a ocitocina pela veia adentro de forma que senti (e bem) cada contração até estarem a pouquíssimos minutos de distância umas das outras. Só nesta fase deram-me a epidural e a minha cara deixou de ser a do boneco Chucky para passar a ser a de um nenuco. Mas no parto do Afonso só me faltava o cocktail e os óculos de sol! Mas que coisa mais Santa! Entrei nos Lusíadas por volta das 9h30, fiz o meu CTG tranquilinho, acomodei-me no meu quarto e lá vieram pôr a ocitocina a correr. Pouco tempo depois veio a minha médica e só me disse “ao mínimo desconforto – não é dor – desconforto, avisa e vem a médica dar a epidural.” 

Eu tenho, felizmente, ótima resistência à dor e fez-me confusão ser logo queixinhas e pedir a epidural, mas não se contradiz a rainha da obstetrícia! A anestesista era outra grande profissional – em pleno bloco de partos decidi elevá-la a rainha da anestesiologia, para risota geral – e pimbas de me dar uma das melhores invenções da humanidade. A partir daqui senhoras, entrei pela porta principal do paraíso para de lá não sair mais. Eu falava pelos cotovelos, eu ía às minhas redes sociais, eu lia revistas, eu metia conversa com as enfermeiras, enfim, estava na minha normalidade. Ao mesmo tempo que isto acontecia, o CTG registava as minhas contrações quando eu a única coisa que sentia era que estava tão bem que ainda era menina para dar um saltinho ao C.C. Colombo que fica mesmo ao lado.  

A epidural ia sendo reforçada e nem quando a médica me veio rebentar as águas, eu disse olá às dores. Nada. Peace and love babes! Estava tão na boaaaaa que nem dei pelo tempo passar. Eram já praticamente 18h e era necessário tomar a decisão. Parto normal ou cesariana. Apesar de estar a dilatar bem, o bebé descia aquando da contração, para logo a seguir “subir”. A coisa intrigou a médica, que perante o cenário difícil, achou que um parto normal a faria “ir buscar o bebé lá acima e dar-me desconforto e uma experiência menos positiva”. Optamos pela cesariana. Uma vez no bloco, sempre bem orientada e com médicos e enfermeiros muito prestáveis e competentes, era tempo de fazer o meu feijãozinho nascer. Entre conversas sobre tudo e sobre nada, naquela boa disposição de quem está com a epidural em cima e está tão na boa que se esquece que está ali com as miudezas um tanto à mostra, solta a médica que estava a assistir – “que grande pé!” – sim, o meu baby é rapagão! 3.400kg para 50 cm de gente. Vi-lhe a cara assim que saiu de mim e fixei-me naquele choro nos minutos seguintes. As lágrimas escorriam-me da cara, absolutamente incontroláveis. Valeu-me o marido para as limpar, não fosse afogar-me nelas. Não demorou muito tempo para que trouxessem o meu bebé de volta a mim. Tive o mesmo instinto animal que dá ultima vez. Cheirar o meu Afonso. Deixaram-no a meu lado o tempo todo, enquanto sentia que faziam ali algumas tropelias na minha barriga. Ainda tentei meter a cunha à médica para aproveitar e fazer uma lipo, mas sem sucesso. Contudo, vim a saber mais tarde que na cesariana, a médica melhorou a minha cicatriz anterior (que estava bem feiota) e que “deu um pontinho” nos meus abdominais superiores para que eu possa recuperar mais rápido e bem. Agora percebem a elevação a rainha da obstetrícia, certo?

Eu achava que não era possível ter um parto sem dor. Achava mesmo que a minha anterior experiência fosse o normal. Dor nas contrações e na hora H sem dor, mas não. Todo o processo pode ser sem dor, mas cada caso será um caso.  Não só tive um dia absolutamente fantástico e feliz, como os dias seguintes foram bem mais fáceis. Estava serena, calma, radiante mesmo! Foi tudo perfeito. Como se quer que seja num dos dias mais felizes da nossa vida 💙! 

Por isso mamãs, podendo, não hesitem em fazer valer o vosso direito de opção por um parto sem dor e por uma epidural a tempo e horas. O dia é nosso e temos o direito de fazer dele o mais inesquecível e perfeito possível!

Vossa,

JT 

Comentários

  1. Michelle Sousa

    3 Outubro de 2018 às 0:23

    Responder

    Olá :) eu tenho uma enorme duvida, levar a epidural custa?
    Tenho 23 anos, um dia gostaria de ser mãe, sofro de vaginismo mas nada que não se vá resolvendo, mas tenho muito medo de hospitais, epidurais, operações e todo o tipo de intervenções que incluam vacinas e injeções, cortes e afins, a ponto de ter medo de um dia engravidar…
    Adorava conseguir um dia um processo de parto sem dor mas por outro lado o medo é tão grande.
    Beijinhos espero a sua resposta e gostei muito de ler sobre a sua experiência 😊

    • Joana Teles

      6 Outubro de 2018 às 18:17

      Responder

      Olá Michelle Sousa! Acredito que quando queremos muito uma coisa, nada nos demove. Não lhe vou dizer que a epidural não dói, porque dói, mas é uma dor pequena, suportável e que passa rapidamente. A anestesia começa logo a fazer efeito e depois do bebé nascer, acredite que só ficam as boas experiências :)! Tudo de bom e vá em frente. Sem medos. O medo só paralisa.


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