Apresentar o bebé aos irmãos

Apresentar um bebé aos irmãos, principalmente quando estes são pequenos e/ou filhos únicos, é algo que deixa os pais apreensivos e sem saber o melhor caminho a tomar. Cá em casa não foi excepção. Era algo que nos preocupava, essencialmente pela M.I. ser tão pegada a nós. Com 4 anos – aquela idade – receávamos que ficasse com ciúmes desmedidos e visse o mano como alguém que lhe veio roubar os pais. 

Apesar de ter lido alguns artigos de psicólogos e outras mães, onde dão a sua opinião e estratégia adoptada, não há nada como definir a nossa própria estratégia de acordo com a nossa realidade. Foi o que fizemos. 

Delineamos um plano de apresentação do bebé à M.I. que começou logo na gravidez. Sempre a incluímos em tudo o que achamos que fazia sentido. Compras para o bebé, decoração do quarto, idas às ecografias, etc, o que permitiu que se fosse apercebendo da chegada do novo membro de uma forma harmoniosa e natural. 

Quanto à apresentação propriamente dita, optámos por apresentar os manos no dia da alta médica. Acreditamos que seria doloroso para a M.I ir visitar-nos ao hospital e ter de vir embora sem os pais, vendo o irmão mais novo como alguém que nasceu e que lhe resgatou logo os pais num sítio estranho e no qual ela não pôde ficar a dormir. A inocente mentirinha de “os papás estão a trabalhar”, pareceu-lhe normal e não lhe causou nenhuma angústia. Mas o desafio não foi só este. O Afonso nasceu no sábado, dia 4, e a M.I fazia anos no dia 6, 2af. Ou seja, mantinha-me internada e a M.I não teria os pais no aniversário dela ( e se isto não é testar os limites da ciumeira de uma criança, não sei o que testará!). Posto isto, fomos mais uma vez ao saco das mentirinhas inofensivas e dissemos-lhe que fazia anos na 3af. Toda a gente estava feita na mentira, pelo que para ela foi exatamente igual. Assim, no dia D, dia de “aniversário” e dia da minha alta médica, a M.I foi conhecer o irmão. O pai foi buscá-la à escola e quando chegaram fui esperá-la à porta do quarto. Tive o cuidado de não estar a amamentar ou com o bebé ao colo. Estava ali só para ela. Deu-me um abraço forte, seguido de um “tinha saudades tuas”, que me deixou com a garganta em nó. Ainda que de cicatriz de cesariana fresca, peguei nela ao colo e levei-a até perto do berço, numa distância q.b. Sentia-lhe o coração a bater forte no peito e sentei-a no meu colo. De longe espreitou o mano e só quando disse que queria vê-lo é que nos aproximamos. “Parece um boneco!” – foi a expressão, num misto de surpresa, expectativa e curiosidade. Lá fez uma festinha nas mãozinhas e continuou a fitar o irmão, calada.

Saímos os 4 do quarto, com o peito aliviado. Para primeiro encontro correu bem. Tão bem que quis logo empurrar o carrinho do maninho no primeiro passeio de muitos.


Há apenas um dado a lamentar. A M.I, que passou a gravidez a perguntar quando é que eu poderia voltar a pegar nela ao colo, vê-me a vestir e diz “mamã, tens a barriga grande! Tens aí outro maninho?!” – enfim, a tal sinceridade das crianças que equivale a um estaladão na cara. Mas também não se pode ter tudo…

Vossa,
JT

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