Açúcar: precisamos mesmo de ti? Por Alison Jesus

“Sugar, yes please!” é o que nos diz uma das músicas dos Maroon 5. Mas será que precisamos mesmo do açúcar na nossa vida?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a definição de açúcares simples consiste nos mono e dissacáridos adicionados aos alimentos e bebidas pela indústria alimentar, pelos manipuladores de alimentos ou pelos próprios consumidores, bem como os açúcares naturalmente presentes no mel, xaropes, sumos de fruta e concentrados de sumo de fruta.

É larga a evidência científica que sustenta a ideia de que o consumo excessivo de açúcares simples está associado ao excesso de peso/obesidade bem como às doenças associadas nomeadamente, a diabetes mellitus tipo 2 e as doenças cardiovasculares. Para além disso, o consumo excessivo de açúcares simples é um fator de risco para as cáries dentárias, uma das doenças não transmissíveis mais prevalentes em todo o mundo.

É por estes argumentos, que entidades internacionais como a OMS, recomendam que a ingestão máxima diária de açúcares simples não ultrapasse os 10% do total de energia diária ingerida. Simplificando, se considerarmos um valor energético diário de 2000 kcal, a ingestão de açúcares simples não deverá ultrapassar as 200 kcal/dia ou 50g/dia.

Na realidade, ao analisarmos o açúcar percebemos que este nos oferece “calorias vazias”, ou seja, ao ser adicionado aos alimentos apenas acrescenta-lhes energia (calorias) sem nenhum tipo de valor nutricional (como vitaminas e minerais, por exemplo), o que diminui a qualidade nutricional da alimentação. Para além disso, aumenta-nos o risco de excesso de peso e obesidade e das doenças crónicas associadas bem como de cáries dentárias.

Uma das principais fontes deste “grande vilão” são as bebidas açucaradas cujo consumo tem vindo a aumentar ano após ano, visto que estas têm vindo a substituir outras bebidas com interesse nutricional como a água e o leite. Considerando o teor de açúcar presente na maioria dos refrigerantes comercializados, o limite diário das 200 kcal/dia recomendadas pela OMS é facilmente ultrapassado com apenas uma lata de 330 mL de refrigerante.

É de realçar que as bebidas açucaradas por serem líquidas têm um menor efeito saciante comparativamente aos alimentos sólidos açucarados, isto porque o açúcar na sua forma líquida é mais rapidamente digerido e absorvido em relação ao açúcar presente nos alimentos sólidos.

Porque devemos ser contra as bebidas açucaradas? Apesar de ser uma fonte de água em nada nos acrescenta em termos de benefícios nutricionais pelo contrário, ganhamos peso, não só pelas calorias que nos oferece como também pela promoção de uma menor saciedade, que nos induz a uma maior ingestão energética proveniente de outros alimentos. Por isso mesmo, se pensamos em saúde, é então preferível optarmos pela água simples.

Portanto, pegando na música dos Maroon 5: Sugar? No please apesar de ser muito atrativo para o nosso cérebro, este não é necessário na nossa alimentação, pois já vimos que é prejudicial à nossa saúde. Já os “açúcares” referidos na música como amor e simpatia, esses sim são benéficos, por isso procure incluí-os (e pode exagerar!) no seu dia-a-dia.

Alison Karina de Jesus

Nutricionista

alisonkjesus@gmail.com

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