Quando se perde a razão 

Podemos estar cheia dela. Mas partimos para a estupidez e lá vai ela. A greve é um direito que nos assiste desde o 25 de Abril de 1974 mas para a pôr em prática, há que ter dignidade em fazê-lo. Não obstante o transtorno que algumas greves trazem à vida das pessoas que não estão envolvidas diretamente, fazer greve é um direito, mas não é por isso que não tem um dever associado. A greve dos taxistas da passada noite, deveria ter tido como dever, no mínimo, a de manter a dignidade, respeito e educação, pelo facto das pessoas envolvidas na greve estarem a representar toda uma classe. 

Não acredito – nem quero acreditar – que a forma como os taxistas lideraram a sua greve, seja do comum acordo de todos os profissionais. Vi as imagens na televisão e fiquei chocada com a forma como os taxistas que se estavam a manifestar, estavam a insultar os profissionais da Uber, com palavrões que só ripostavam contra eles mesmos. A violência verbal foi extrema, desmesurada, e quando achava que não podia descer mais baixo, eis que os senhores se põem a insultar os taxistas que não aderiram à greve – seus colegas de profissão, portanto – e danificam um carro da Uber, a pontapés e murros (pouco inteligentes ainda para mais, cheios de polícias à volta e câmaras de televisão a gravar). A cereja no topo do bolo vem com a frase que aquela pessoa usou como metáfora para falar das leis e do seu incumprimento. Não sou capaz de escrever o que aquele acéfalo disse, mas fechou com chave de ouro toda a prestação dos taxistas que fizeram greve. 

A grande maioria das empresas têm concorrência. Acabar com um monopólio pode ser aterrador, principalmente se quem presta um serviço sabe logo à partida, que não o presta bem. Se os taxistas em greve queriam defender o seu direito, a única coisa que conseguiram foi envergonhar uma classe, afastar a clientela e transmitir uma imagem de muito baixo nível. Tenho pena pelos taxistas bons, profissionais que não se revêm nos seus colegas que participaram na greve. Com os desacatos desta greve, os taxistas só abriram mais uma guerra. À da lei, juntam agora a da conquista da confiança dos clientes. Esta bem mais difícil de ganhar. 

Até já,

Vossa,

J! 

Comentários

  1. Ana

    8 Setembro de 2018 às 21:23

    Responder

    Magnífico texto :)


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