O abraço de todos

É o habitual cenário infernal de verão. Incêndios um pouco por todo o lado, que consomem o património natural e, muitas vezes, vezes demais, casas de uma vida e vidas que não tem preço. As imagens chocam, magoam, fazem-nos sentir mal e só as vemos à distância. Que fará senti-las de perto. Há umas semanas tive um incêndio perto de minha casa e em segundos, aproximou-se o suficiente para começar a ver o caso mal parado. Felizmente os bombeiros vieram rápido e ficou tudo bem. Mas caramba, assustou. E fez-me viver 1% do drama que imagino que vivam as pessoas que estão a sofrer diretamente com os incêndios. Muito se especula sobre os negócios paralelos e, para mim, são muitos evidentes. Da indústria madeireira, aos negócios que exigem terrenos para plantações, até aos interesses financeiros que advém do aluguer de equipamentos para ajudar nos incêndios. É triste, mas não pensar no enorme negócio que está por trás disto tudo é ser inocente. Um pirómano já é quase um peão no meio de todo este negócio. Um peão que merece ser punido pelo enorme mal que faz, mas apenas o rosto de um negócio que gera milhões. 

O caso da Madeira é outro caso flagrante. Ver o desespero no rosto das pessoas dói no peito. Casas que construíram com esforço, bens que com elas foram destruidas, memórias e raízes que as pessoas são obrigadas a deixar em segundos. O Marcelo Rebelo de Sousa, com quem sempre simpatizei, fez o que todos com coração quereriam fazer. Dar um abraço forte, ser ombro amigo de um “amigo” que se conheceu há segundos atrás. Isto é ser humano. Ele é o presidente dos afetos e é disto que precisamos. Numa altura em que tudo se resume a dinheiro, abraçar e dizer “estou aqui” torna-nos nos maiores. E o nosso presidente tem mostrado ser o maior! 


Até já, 

Vossa, 

J! 

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