Bairro do Amor

Fazer um programa diário tem destas surpresas. Descobrir projetos fascinantes e gente que supera esse mesmo fascínio. Hoje conheci o Bairro do Amor, uma IPSS de origem recente e com um propósito bem definido. Ajudar pessoas que precisam. Mas estas pessoas são cidadãos comuns com trabalho e autonomia , mas que no meio do seu aparente equilíbrio precisam de um apoio que, pelo salário à justa, não lhes permite alcançar. Não são suficientemente necessitados para serem ajudados pelas comuns instituições, nem recebem o suficiente para dispensarem ajuda. É aqui que esta instituição entra e faz.

Neste Bairro do Amor são todos voluntários. E vizinhos. Não de rua, mas de missão, naquele que deveria ser o verdadeiro significado da palavra. Vizinhança ativa e cooperativa, uma raridade nestes dias.

Aos sócios e voluntários do Bairro do Amor, cabe-lhes a missão de sinalizar casos e procurar-lhes solução. Neste caminho recente, ajudam um caso por mês. Juntam esforços para ajudar. Não necessariamente quem mais precisa, mas quem precisa de uma mão amiga para melhorar. Hoje fui acompanhar uma dessas ajudas.

A Rita e o Luís são autónomos e têm a sua casa, mas também duas doenças que não deixam revelar em plenitude a sua energia e virtude. A Rita tem espinha bífida e o Luís tem paralisia cerebral. A Rita cuida do Luís no meio das dificuldades que a sua doença teima em impedir, mas ela tem genica, sentido de humor e acima de tudo, uma ótima formação pessoal. Olham um para o outro com amor, que parece ser suficiente para os alimentar. Talvez por isso, a ajuda que necessitavam fosse relativamente simples mas tremendamente importante. Precisavam de um colchão novo. Fruto das várias horas que têm de passar deitados, a qualidade de um colchão torna-se fundamental para que possam preservar a condição física possível. O Bairro do Amor conseguiu esse colchão e foi emocionante ver a alegria da Rita e do Luís.  Olhavam um para o outro sabendo bem a diferença que lhes iria fazer na vida.

Adorei conhecer os dois. O Luís era reservado, muito pelo receio que tinha em não se fazer perceber, mas a Rita falava pelos dois. Um casal apaixonante!

No meio da boa notícia e da etapa bem sucedida, fico a saber que aquele simpático casal travava outra luta. Esta mais difícil de combater. O casal luta pelo direito a ter uma rampa na entrada do prédio, já que este tem dois degraus.A ausência desta rampa torna-os reféns da própria casa. A câmara já lá foi tentar colocar a rampa…mas os vizinhos opuseram-se. Como posso explicar isto sendo bem cautelosa e educada nas palavras? Dos 21 vizinhos vizinhos do prédio, apenas 4 são a favor da colocação da rampa. 17 pessoas não permitem que se coloque uma simples rampa de acesso para permitir dar liberdade à Rita e ao Luís. A justificação? Estraga a estética do prédio.

(caiu-vos o queixo, certo?)

O Bairro do Amor está com um processo judicial a decorrer, já que este impedimento; esta falta de tudo, põe em causa um direito fundamental. A liberdade.

E é isto. Quando parece que o mais difícil está em ajudar com bens valiosos, vem o pior mal de sempre. E que dificilmente tem cura. A falta de humanidade.

Para conhecerem melhor e cooperarem, se assim o entenderem, o facebook  do Bairro do Amor fica aqui.

Se quiserem conhecer este casal maravilhoso, espreitem este vídeo

E que tudo isto possa ser um dia, o Mundo do Amor.

Vossa,

J!

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