Dia europeu da vítima de crime

Hoje é dia europeu da vítima de crime. A data tem o propósito de relembrar todos aqueles que são ou foram vítimas de crime e reforçar os direitos das mesmas. Em Portugal, cabe à APAV o duro mas fundamental papel de apoiar estas vítimas nas vertente psicológica, jurídica e social. Só no ano passado, receberam quase 4 mil chamadas. Hoje fui fazer diretos para o “Agora Nós” na APAV de Lisboa e apesar do ambiente “tranquilo” que se sentia, estava difícil de desligar que, por detrás de cada telefonema; de cada pessoa que estava na sala de espera, estavam histórias que não deviam ser vivenciadas por ninguém. 

As 17 chamadas diárias recebidas no ano passado pela APAV, permitiram traçar os números da violência. A maior parte das vítimas (84%) são mulheres, com uma média de idade de 46 anos, casadas ou a viver em união de facto (59%), 47% têm o ensino superior e 43% estão empregadas – a ideia enraizada que são pessoas com baixo nível de literacia, ou condições económicas muito desfavorecidas cai, em parte, por terra.
Dos 310 casos em que a vítima era homem, a APAV constatou que tinham uma média de idade de 44 anos, 46% eram casados ou viviam em união de facto, 44% viviam numa família nuclear com filhos – os homens também são vítimas de violência. E não há que ter vergonha em admitir e agir para que tal não suceda mais. 

Na infância e terceira idade, continua a ser o sexo feminino o vitimado. Estes mesmos telefonemas, também permitiram traçar o perfil do agressor. A APAV refere que 83% são homens, com uma média de idade de 45 anos, 67% são casados ou vivem em união de facto, 54% tinham o ensino superior, 55% estavam empregados, 67% não tinham antecedentes criminais e 28,9% eram cônjuges da vítima – números  assustadores. Parecem dados de gente “normal”, mas não, são dados de autores de um crime. 

A APAV é uma associação onde grande parte da sua equipa é composta por voluntários. Pessoas qualificadas nas três vertentes de apoio (psicológico, jurídico e social) que sabem que respostas dar quando lhes pedem auxílio. Os telefonemas são totalmente confidenciais. Humanizados. Não há juízos de valor. São respeitadas as escolhas e decisões. 

Conhecer alguém que seja vítima de crime e não fazer nada é corroborar com o autor do crime. Se conhecem ou suspeitam que alguém sofre algum tipo de violência (a violência doméstica é a mais frequente) denunciem. Se é vítima de violência, denuncie. Não há excepções. Há sinais. O amor não convive com a violência. 

O 116006 está disponível das 9h às 19h e é um número europeu. Independentemente do país da Europa, o número é este – 116006. Para fixar e esperar nunca lhe dar uso.

  
  

Comentários

  1. Vitor

    24 Fevereiro de 2016 às 23:15

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    Grande texto, para nos alertar para uma situação que pide acontecer a qualquer um de nós. Aproveito também para saber se a Joana está melhor, pois só ontem soube o que aconteceu, espero que tenha sido apenas um susto. Abraço :)

    • Joana Teles

      26 Fevereiro de 2016 às 17:19

      Responder

      Boa tarde Vitor! Muito obrigada pelas suas palavras! É sim, já estou impecável! Até breve!


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