Festas de Natal e famílias enlouquecidas

Apesar das 6afs à tarde serem sempre sinónimo de viagens para o”Aqui Portugal”, hoje a ida teve de ser adiada. A festa de Natal da escola da M.I. estava marcada para as 18h e jamais me desculparia se não estivesse presente. A serpentear pelo trânsito do final da tarde, recebo uma mensagem do meu marido “Já cá estou! Está tanta gente na fila que mais parece uma estreia do Filipe Lá Féria!” Imaginei logo o cenário.

Consegui chegar precisamente às 18h, esbaforida e descabelada, com uma apresentação tal que uma esfregona a meu lado ganhava o título de Miss Universo. Enquanto tentava perceber onde estava o meu marido, ao mesmo tempo que recuperava o fôlego do que tive de andar para conseguir estacionar o carro, era ver avózinhos cheios de casacos (e tempo) nas cadeiras para reservar lugar. À parte dos meus olhares fulminantes, lá vejo o meu marido. Enquanto o espetáculo propriamente dito não começava, um outro começava a dar sinais de grande espetacularidade. Aquilo era gente a chegar de todas as portas de entrada da sala, outros que mudavam de lugar com a tia ou o primo, deixando os que estavam atrás com vontade de lhes mandar com uma fisga, pelos esticanços de pescoço originados. Depois, há aqueles que fazem questão de instalar todo o manancial tecnológico que têm vindo a acumular desde que o filho nasceu e que, orgulhosamente, expõe para toda a gente ver. Aquilo era tripés por todo o lado, malas com lentes que mais pareciam telescópios, pais com câmaras ao pescoço, no tripé e na mão, numa sincronização que me deixou pasmada. Ora mexiam na câmara que estava no tripé a filmar, ora fotografavam, ora usavam a Go Pro para um plano geral do ambiente. O meticuloso trabalho destes pais só era posto à prova quando, na dança das cadeiras, lá saiam uns quantos pontapés que faziam as câmaras perder o ângulo e os pais as boas maneiras. 

O espectáculo começa com os mais crescidos da escola. Aqui começa a notar-se que, no que diz respeito às nossas crianças, solta-se também dentro de nós a a nossa criança interior. Do público sentia-se um “aghhh que fofos!” Contra uns “muito lindo, mas quando é que o MEU aparece?”

Não vos nego que estava ansiosa. A M.I. tinha estado a ensaiar o dia anterior e estava há 3 horas nos bastidores. Só imaginava como estaria a reagir àquilo tudo e a minha fértil imaginação levou-me para o momento em que ela seria já adulta e eu lhe mostrava as imagens da -“…primeira vez que pisaste um palco, meu amor! Que emoção!!” – Imaginei-me também a dar entrevistas e a dizer que aquela grande artista pisara pela primeira vez o palco com apenas 2 anos e que já lhe estava no sangue a veia artística…Mas depois acordei e dei a mim própria dois estaladões pela parvoíce. Uma pessoa fica mesmo apanhadinha de todo quando é mãe.

Entretanto, eis que chega o momento. Os olhos treinados de mãe águia fazem-nos distinguir a nossa cria no meio de 1500 crianças vestidas de igual forma, se for preciso. Aos meus olhos, a M.I. dançava o Lago dos Cisnes de Tchaikovsky , com o seu tutu em tule, sapatos de pontas e cabelo penteado num coque perfeito. Ocupava todo o palco numa dança que a parecia fazer voar!!! Estava uma elegância, vestida num rosa muito suave…

…bom, na realidade, estava vestida de pinheirinho de Natal e andava à roda enquanto cantava uma música de Natal. Aos meus olhos, foi exatamente a mesma coisa. Estar ali era como estar numa grande sala de espetáculos mundial. Foi o espetáculo mais maravilhoso a que assisti e quando a fui buscar sentia-me mãe de uma atriz galardoada com um Oscar. Estava tão entusiasmada que não parava de lhe dar os parabéns e perguntar como estava – “do que gostaste mais meu amor?” – muito despachda, com uns olhos brilhantes e sorriso de alegria response” andei no tócarro gaaaanndeeee da escola mamã!”

Lá está, cada um vê as coisas da forma como lhe é mais importante.

Mãe fica tão cegueta…

Até já,

Vossa,

J!

Comentários


    Adicionar comentário

    O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *