Refugiados da vida

Um tema para ser tratado com pinças e bisturi. Mais do que fugir da fome, fogem da morte. Com os seus países em conflito permanente, decidem sair de casa e ir à procura. Não lhes importa o quê em concreto. Sabem que têm de sair e sabem também que a saída lhes pode custar a vida. Mesmo assim vão. Preferem morrer a tentar, do que ficar e morrer sem o fazer. Ninguém lhes pode negar a coragem para fazê-lo, nem ninguém pode imaginar o desespero pelo qual passam para tomarem a decisão. Continuam a viajar em botes sem condições. Onde cabem dez contam-se cinquenta. Muitos criticam o facto de terem o país de destino traçado. Mas como criticar? Não faríamos o mesmo no lugar deles? A passar pelo que passam, que tenham o direito de escolher o melhor possível. Muitos também põe em causa o nível cultural dos refugiados, afirmando que serão todos ladrões aqui na Europa. Poucos saberão que alguns deles tiraram cursos superiores em Inglaterra e França e que até tinham empregos confortáveis no seu país. Mas a incerteza de saber se voltavam a casa depois de um dia de trabalho ditou-lhes a viagem para a Europa. Viajam como conseguem e como podem pagar. Trazem as economias de uma vida no bolso e são muitas vezes burlados pela própria polícia que lhes exigi o dinheiro todo. A esperança começa logo ali a desvanecer-se, quando vêm como o ser humano consegue descer tão baixo e usar os mais fragilizados para deles tirar lucro. Imagino que a cada quilómetro que ultrapassam, lhes passe de tudo pela cabeça, sobretudo vontade de voltar a casa. Mas não podem. A solução passa por continuar em frente, custe o que custar, e esperar que gente humanizada esteja do “outro lado” para os receber. Todos temos direito em procurar algo melhor.  Claro que é um assunto muito complicado e controverso e urge fazer algo. Nao me parece que colocar muros de arame farpado como fez a Hungria seja a melhor opção, mas aplaudo a ideia de um campo onde as pessoas possam ser recebidas com dignidade. Também não é menos verdade que não podemos permitir que 500 mil pessoas venham de repente para Portugal e que se lhes dê trabalho. ” Então e os nossos?” – diz o povo e com alguma razão. A questão é que alguns dos nossos não querem trabalhar. Preferem ter um subsídio de desemprego porque “para trabalhar para receber o salário mínimo, mais vale ficar no desemprego”. Conheço uma pessoa que lida com estas respostas diariamente. Estas e do género –  “…e já agora assine aqui o papelinho a dizer que vim à reunião mas que não me acha apto para o cargo, sff” – assim o subsídio continua a pingar. Não vou ser hipócrita e dizer que acho que os devemos receber de braços abertos, mas também sejamos realistas, tolerantes e não nos iludêmos. Não vão tirar emprego a ninguém, vão ocupar aquele que ninguém quer! Não é menos verdade que alguns não ficarão integrados na sociedade e que daí até se tornarem marginais é um segundo. A solução passará, na minha opinião, por sinalizar os refugiados e perceber se estão ou não a trabalhar. Caso não estejam, têm um determinado período de tempo para o fazer, correndo o risco de findo esse período, serem mandados de volta para o seu país de origem. Agora não podemos fechar as portas. Já damos provas demais como somos pouco humanos, mas desta vez não! São eles, podíamos ser nós. Fosse este mundo mais equilibrado na sua riqueza e isto não aconteceria. Todos merecem uma oportunidade e recomeçar não se nega a ninguém.

Até já,

Vossa,

J! 

Comentários

  1. Pedro Oliveira

    12 Setembro de 2015 às 7:23

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    Parabéns pela análise. Fosse todas as pessoas assim. Não imaginava tanta xenofobia em Portugal….

    • Joana Teles

      12 Setembro de 2015 às 12:54

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      Nem eu Pedro. Infelizmente.

  2. Carmen Lopes

    12 Setembro de 2015 às 22:29

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    Aqui está uma análise bem feita e sem hipocrisia. Estou perplexa com todas as manifestações xenófobas que têm proliferado nas redes sociais e até nos media…
    Quem emite essas opiniões esquece-se que os portugueses emigraram para outros países e não foi pela guerra mas apenas por questões econômicas. Isto passou-se nos anos 60 e está novamente na ordem do dia, infelizmente. Estes estão a sair porque a isso a guerra os “obriga”.
    Que sejam bem vindos (e bem acompanhados) para refazer a sua vida em paz 👍

    • Joana Teles

      13 Setembro de 2015 às 1:04

      Responder

      Nem mais! Temos “memória curta” e pouca tolerância, infelizmente.

  3. Vitor

    13 Setembro de 2015 às 2:25

    Responder

    Eu acho que toda a gente merece uma oportunidade de conseguir ter uma vida digna e tenho a certeza que muita daquela gente apenas quer dar uma vida melhor à sua família eles não têm culpa do que se se passa nos seus países e cabe a nós os países “desenvolvidos” ajudar e partilhar a nossa riqueza nunca se sabe se não somos nós que um dia vamos precisar

    • Joana Teles

      13 Setembro de 2015 às 15:50

      Responder

      Isso mesmo Vitor!


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