Afinal, o bom senso existe!

O governo francês aprovou ontem ao final do dia uma lei que deveria tornar-se regra. As marcas de roupa que usarem modelos excessivamente magras serão punidas. 

A medida é parte de uma campanha do governo de Hollande contra a anorexia, que inclui também a obrigatoriedade de se dar conta se o corpo de uma manequim foi manipulado em fotografia.Um “clap,clap,clap” para esta decisão!

Fruto do meu trabalho, vou a desfiles e sessões fotográficas e fico sempre com a impressão que não posso sequer cumprimentar as modelos,não vão elas desfazer-se em bocados. 

As curvas não existem porque, para que isso aconteça, é necessário algum volume no corpo. Depois, as coxas são da largura das minhas pernas e as minhas coxas da largura da cinta delas. Em fotografia e nas passerelles nem se consegue ter a noção da dimensão destes corpinhos. Depois também já há esta habituação instituída na nossa cultura. ” É magrinha e alta? Então pode ser manequim!” A cara já não importa para nada, que a moda dos modelos andrógenos e com caras “fora do comum”, continua bem patente. Quando folheio uma revista de moda, já não encontro modelos lindas, com cabelos fantásticos e com um corpo escultural. Encontro, quase sempre, modelos com rostos esquisitos, quase sempre a fazer cara de espanto, de má, de triste, e com o olhar de carneiro mal morto ou de vazio total. Os cabelos são ao estilo “let it be”, quase sempre despenteados, com pouca vitalidade ou com ar de quem sofreu um choque elétrico. Depois fazem aquelas poses super naturais, de mão na cinta, anca para a frente, costas para trás, boca aberta de espanto e olhos de boneca de porcelana.

Para quê instituir que uma manequim de passerelle só pode ter acima de 1,75m, se a maioria das mulheres não tem esse tamanho? Para quê insistir numa imagem de uma modelo magra se isso não é comum na mulher “normal”? Os designers dizem que a roupa assenta melhor em modelos magras. Pois assenta, é que assim não há risco da roupa fazer dobras no peito ou de vincar muito no rabo. Ambas as partes anatómicas são praticamente inexistentes nestas modelos.

Claro que depois temos a força desta indústria que impõe tal pressão que ter 60kg hoje em dia já é considerado quase excesso de peso. E as adolescentes, que estão numa fase de encontro delas mesmas e daquilo que querem ser e parecer, deixam-se levar pela onda. Como esquecer o episódio da Jessica Athayde no desfile da Moda Lisboa? Uma mulher absolutamente normal, com curvas e corpo cuidado, a ser chamada de gorda.

A isto chamo manipulação de ideias por parte de uma indústria poderosa que envolve não só o setor têxtil, mas também o da cosmética nas suas várias vertentes. 

Espero bem que este seja o início de uma nova era que venha para ficar e que a lei se espalhe por mais países. 

Gordura não é formosura como se fazia crer antigamente, mas magreza excessiva também não é feminilidade nem saúde

Totalmente a favor das mulheres normais e reais! Sempre!

Até já,

Vossa,

J!

Comentários

  1. Pedro Miguel

    4 Abril de 2015 às 11:20

    Responder

    Clap, clap clap! Também estou farto de a indústria da moda exercer pressão em mulheres cadavéricas. Sigam outros o exemplo da França e ficará uma sociedade melhor e as mulheres mais femininas e mais saudáveis.

    • Joana Teles

      5 Abril de 2015 às 11:44

      Responder

      Sem dúvida Pedro Miguel! Mais femininas, mais saudáveis e eu acrescento, mais felizes!


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