É, provavelmente, a reportagem que mais me custa fazer. Porque é sempre igual, porque são sempre as mesmas pessoas, porque a feira de vaidades é tal, que os rostos viram-se sempre que uma câmara liga, sempre que um flash dispara. Como tenho este feitio de observar muito, não consigo evitar reparar em algumas figuras públicas que cá veem, não para ver, mas para serem vistas.
A ânsia pelas fotografias é tal, que se aproximam e cumprimentam os fotógrafos efusivamente, para que estes lhes tirem uma foto, ao jeito de um atestado de existência – “Estou aqui, não se esqueçam de mim!”
Claro que não posso generalizar, e há mesmo quem cá venha para dar apoio e ver o trabalho de um criador amigo, mas raios como foi raro encontrar disso! Pelo menos, daqueles que entrevistei foram poucos os que disseram que estavam ali com esse propósito.
A opinião não é só minha. A Moda Lisboa é um certame de moda para mostrar as tendências da próxima estação, mas é cada vez mais um espaço para se mostrar os gostos pessoais, muitas vezes a roçar o tão estranho e fora que até parece ridículo. E até aí tudo bem, mas vi gente a encarnar o António Variações – em mau, ou melhor, pior -, o Harry Potter, a escrava Isaura, a Betty Grafestein e o Tintim e a determinada altura já achava que estava no corso do Carnaval de Loures. E que não me venham com tretas que aquelas pessoas se vestem assim todos os dias! Não acuso, até porque nascemos todos como uma folha de papel em branco e não devemos morrer fotocópias dos outros, mas acho que a vontade de mostrar, de ser diferente, de ser “fora” é tão grande que atira a diferença, para o canto da excentricidade ridícula.
Para dar nas vistas tem de se ser excêntrico? Não. Mas a coisa já começa mal logo na pergunta. Dar nas vistas porquê, com que propósito? Não tenho resposta para isso, mas tentando escarafunchar a coisa, esta necessidade de despertar as atenções dos outros pode ter resposta na psicologia. O desejo de ser notado;reparado pode ser visto como sendo uma manifestação de alguma carência de afetos e atenção, ou uma vontade de protagonismo e importância, como sendo também uma forma de aceitação própria. Não sei, não entendo. Respeito…mas crítico…ver um tipo de chinelos não é normal, certo? Ou ver uma pessoa com um cão a saltar de um desfile para o outro também não, certo? Ver um homem com uma toalha de praia à cintura também não está dentro dos limites da “normalidade”, correto?
Só para saber a vossa opinião…. Estou a precisar de desabafar. O espetáculo é de tal vaidade que me incomoda. Mesmo. Por isso só cá ponho os léus pézinhos porque estou a trabalhar. Caso contrário estaria no meu sofazinho a fazer coisas normais. Pelo menos lá, não tinha de ver tanta gente com sede de protagonismo. Digamos que este evento, faz parte do circuito (esquema), para quem quer Estar!
E não me critiquem sff. Lá por fazer o que faço profissionalmente, tal não faz de mim uma pessoa livre de opinião, certo?
Até já,
Vossa,
J!









16 Março de 2015 às 19:07
Sem nada a acrescentar. É mesmo isso Joana Teles.
“Gente que se faz notar”, não tem valores.
17 Março de 2015 às 19:35
Não Podia concordar mais!
18 Março de 2015 às 12:44
Concordo inteiramente com o que escreveu. Considero que, independentemente da posição que se ocupa na sociedade, as pessoas têm o valor que os outros lhes atribuem e, portanto, não vale a pena fazer esforços ridículos, a maioria das vezes, para se tornarem notados
18 Março de 2015 às 15:37
Muito bem dito Maria Ramos! Beijinhos e obrigada pela mensagem!