Doença de Crohn – e daí?

É com alguma regularidade que sou abordada por diversas pessoas que, tal como eu, têm doença de Crohn.

Não tenho qualquer problema em abordar o tema, mas evito-o em entrevistas, porque uma vez cometi o erro de falar sobre isso (nem sei a propósito de quê) e vieram logo artigos nalgumas revistas a tentar dramatizar aquilo que de dramático não tem nada.
Porém, tal não invalida que responda as questões que recebo por e-mail. E por isso escrevo sobre isto.

Tenho esta doença há 10 anos e comecei a sentir-me mal em dezembro de 2003.
Vários exames depois e passados alguns meses também, foi feito o diagnóstico. Doença de Crohn.

“O que é isso?” ; “Eu tenho uma doença crónica?” – entrei em choque!
Obter o diagnóstico de uma doença, doença essa que só tinha ouvido falar, saber que a teria para toda a vida e que, para a controlar, teria de tomar medicação até ao fim dos meus dias, deixou-me em pânico.
Para compor o quadro, no final da consulta, recebo um prospecto a propósito da associação que apoia os doentes com doença inflamatória intestinal!
Estava meia incrédula e quase em negação.
Como se não bastasse, pouco tempo depois, entro em estágio hospitalar (para quem não sabe estudei enfermagem. É uma longa história…), na unidade de medicina.
São-me atribuídos vários doentes, um deles, com doença de Crohn de tal forma avançada, que a pessoa já só se alimentava por uma bolsa parentérica. Uma espécie de saco nutritivo que alimenta a pessoa por via de um catéter. Agora imaginem como fiquei…

10 anos depois, nem me lembro que tenho a doença. Como?
Sou cuidadosa. Nunca gostei de fritos, picantes e comidas condimentadas, embora de vez em quando (muito de vez em quando) coma. Deixei de beber leite (também não precisamos dele para nada) e, muito importante, mantenho a calma!
O stress agrava qualquer doença e esta não é excepção.
O nervo vago é um “mega” nervo que está ligado aos órgãos. Ele trabalha consoante a informação que recebe do sistema nervoso. Não vou dar nenhuma aula de anatomia, mas quando estão nervosos, estão com o ritmo cardíaco mais acelerado, as pupilas dilatadas e dor de barriga, que chega a ser uma incómoda cólica, verdade?
Chegaram lá! Percebem agora como é importante controlar o stress?
Calma, calma, calma e conviverão bem com esta doença.

A todos os que a têm, aconselho a toma da medicação normal e anotar num bloco, alguma refeição que vos fez mal, afim de perceberam qual o alimento que vos causou mal-estar.
No meu caso, não lido nada bem com leite, iogurtes líquidos (os sólidos é “na boa”), brócolos e feijões. Evitando-os, e praticando exercício físico, comendo bem e mantendo a calma, conseguem dominar a doença.
Nunca fui operada, nunca tomei cortisona e faço uma vida normal.
Temos de fazer escolhas, abdicar de alimentos que gostamos muito, mas tem de ser.
Há gente que me escreve porque “não consigo deixar de tomar a meia de leite!” , ao que respondo (um pouco dura bem sei, mas tem de ser assim)
” então continue e pode ser que passe a comer com um catéter espetado em si!”

A doença de Crohn é terrível, mas nós somos mais fortes! Não desanimem!

Beijinhos e espero ter-vos ajudado!
Até já!
J!

Comentários

  1. Abel

    10 Maio de 2014 às 5:22

    Responder

    Bela explicação! Muita força de vontade!
    Desejo-lhe muita saúde.
    Beijinhos

    Até já

  2. Andreia

    17 Janeiro de 2017 às 23:10

    Responder

    Olá! Tenho esta doença há 4anos e tenho 23anos, o meu grande problema é a alimentação, segue alguma ementa e que possa facultar de maneira a ter uma ajuda e umas luzes?
    Grata!

    • Joana Teles

      20 Janeiro de 2017 às 18:32

      Responder

      Olá Andreia! Cada caso será um caso e o seu médico será sempre a pessoa que melhor a pode ajudar, porém, acho importante que esteja atenta à sua dieta e veja se durante o seu dia, tem algum momento em que passe menos bem. Depois, veja o que comeu antes. No meu caso concreto, o leite ficou logo de parte e mais tarde apercebi-me que os brócolos, as leguminosas, o milho, o trigo (pão sobretudo) e alguns alimentos mais picantes, desencadeavam mal estar. No seu caso podem ser outros alimentos, mas ter este cuidado e sobretudo, gerir o stress são, para mim, dois aspectos fundamentais para conviver melhor com esta doença. Espero ter ajudado de alguma forma! Beijinhos e que corra tudo pelo melhor


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